domingo, 24 de maio de 2009

O Marxismo

“Há homens que lutam um dia e são bons; Há outros que lutam um ano e são melhores. Há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida, e estes são imprescindíveis.”
( BERTOLD BRECHT )


Introdução – Marx e Engels formulam suas ideias a partir da realidade social por eles observada: de um lado, o avanço técnico, o aumento do poder do homem sobre a natureza (trabalho), o enriquecimento e o progresso; de outro, e contraditoriamente, a escravização crescente da classe operária, cada vez mais empobrecida;


--> Influências:

· Economistas ingleses - Adam Smith e David Ricardo;

· Filosofia dialética - Hegel;

· Filósofos do socialismo utópico - Saint-Simon, Fourier, Proudhon e Owen.

--> Teoria marxista:

· Materialismo histórico (teoria científica);

· Materialismo dialético (filosofia);

--> Hegel (século XIX): Filosofia dialética; Para esse filósofo, é a própria razão que faz o tecido real, e a ideia não é uma criação subjetiva do sujeito, mas a própria realidade objetiva, donde tudo procede;

--> Para o materialismo, a matéria é o dado primário, a fonte da consciência, e esta é um dado secundário, derivado, pois é reflexo da matéria;

--> Marx inverte o processo do senso comum que pretende explicar a história pela ação dos “grandes homens”, ou, à vezes, até pela intervenção divina. Para o marxismo, no lugar das ideias, estão os fatos materiais; no lugar dos heróis, a luta de classes;

--> Embora possamos tentar compreender e definir o homem pela consciência, pela linguagem, pela religião, o que fundamentalmente o caracteriza é a forma pela qual reproduz suas condições de existência.

Portanto, para Marx, a sociedade se estrutura em dois níveis:

--> Infra-estrutura: constitui a base econômica (que é determinante, segundo a concepção materialista). Engloba as relações do homem com a natureza, no esforço de produzir a própria existência, e as relações dos homens entre si (proprietários e não-proprietários; e não-proprietários e os meios e objetos do trabalho).

--> Superestrutura: nível político-ideológico;

· Estrutura jurídico-política: representada pelo Estado e pelo direito;

· Estrutura ideológica: referente às formas da consciência social, tais como a religião, as leis, a educação, a literatura, a filosofia, a ciência, a arte etc.

--> Ser social: Marx desenvolve uma nova antropologia, segundo a qual não existe uma “natureza humana” idêntica em todo o tempo e lugar. Para ele, o existir humano decorre do agir, pois o homem se autoproduz à medida que transforma a natureza pelo trabalho. Sendo o trabalho uma ação coletiva, a condição humana depende da sua existência social. Por outro lado, o trabalho é um projeto humano e como tal depende da consciência que antecipa a ação pelo pensamento. Com isso se estabelece a dialética homem-natureza e pensar-agir.

--> Práxis: ação humana de transformar a realidade; união dialética entre teoria e prática. Isto é, ao mesmo tempo em que a consciência é determinada pelo modo como os homens produzem a sua existência, também a ação humana é projetada, refletida, consciente. Por isso, a filosofia marxista é também conhecida como filosofia da práxis;

--> A luta de classes

A sociedade civil é o processo de constituição e reposição das condições materiais da produção econômica pelas quais são engendradas as classes sociais: os proprietários privados dos meios de produção e os trabalhadores ou não-proprietários, que vendem sua força de trabalho como mercadoria submetida à lei da oferta e da procura no mercado de mão-de-obra. Essas classes sociais são antagônicas e seus conflitos revelam uma contradição profunda entre os interesses irreconciliáveis de cada uma delas, isto é, a sociedade civil se realiza como luta de classes.

--> A mais-valia

· Chama-se mais-valia o valor que o operário cria além do valor de sua força de trabalho, e que é apropriado pelos capitalistas;

· Com a descrição da mais-valia, Marx configura o caráter de exploração do sistema capitalista. De imediato o operário não é capaz de reverter o quadro porque se encontra alienado;

· Separação entre o pensar e o agir (aceleramento da produção);

· O produto do trabalho do operário subtrai-se à sua vontade, à sua consciência e ao seu controle, e o produtor não se reconhece no que produz;

· O produto surge como um poder separado do produtor, como realidade soberana e tirânica que o domina e o ameaça. A esse processo Marx chama fetichismo da mercadoria; Da mesma forma, a mercadoria não é apenas o resultado da relação de produção, mas vale por si mesma, como realidade autônoma e, mais ainda, como determinante da vida dos homens;

· Produz-se então a grande inversão em que a reificação (res: coisa) é o contraponto do fetichismo da mercadoria. Quando a mercadoria se “anima”, se “humaniza”, obriga o homem à sucumbir às forças das leis do mercado que o arrastam ao enfraquecimento de crises, guerras e desemprego. A conseqüência é a desumanização do homem, sua reificação;

· O que faz com que os homens não percebam a reificação e não reajam prontamente à exploração é a ideologia. À medida que o modo de produção vai sendo superado, a classe dominante procura retardar a transformação, mantendo o modo de produção caduco com suas superestruturas, disfarçando as contradições, dissimulando as aparências e apresentando soluções reformistas, impedindo, assim, que as classes oprimidas formem a sua própria consciência de classe.

· A ideologia impede que o proletário tenha consciência da própria submissão, porque camufla a luta de classes quando faz a representação ilusória da sociedade, mostrando-a como una e harmônica. Mais ainda, a ideologia esconde o Estado, longe de representar o bem comum é expressão dos interesses da classe dominante.

--> Estado e Sociedade

· Para Marx, o Estado não supera as contradições da sociedade civil, mas é o reflexo delas, e esta aí para perpetuá-las. Por isso só aparentemente visa ao bem comum, estando de fato a serviço da classe dominante. O Estado, portanto, é um mal que deve ser extirpado.

· Ao lutar contra o poder da burguesia o proletariado deve destruir o poder estatal, o que não será feito por meios pacíficos, mas pela revolução. Diferentemente dos anarquistas, Marx, no entanto não considera viável a passagem brusca da sociedade dominada pelo Estado Burguês para a sociedade sem Estado, havendo a necessidade de um período de transição.

· A classe operária, organizando-se num partido revolucionário, deve destruir o Estado burguês e criar um novo Estado capaz de suprimir a propriedade privada dos meios e produção. A esse novo Estado da-se o nome de ditadura do proletariado, uma vez que, segundo Marx, o fortalecimento contínuo da classe operária é indispensável enquanto a burguesia não tiver sido liquidada como classe do mundo inteiro.

--> A utopia comunista

· A primeira fase de vigência da ditadura do proletariado corresponde ao socialismo onde persiste a luta contra a antiga classe dominante, a fim de evitar a contra-revolução.

· A segunda fase, chamada comunismo se define pela supressão da luta de classes e, consequentemente pelo desaparecimento do Estado.

· Se a passagem para o comunismo significa o desaparecimento das classes, como fica a afirmação de que, para Marx, a luta de classes é o motor da história?

· O movimento da historia continuaria, pois ela é um processo; só que a luta não mais seria entre a classe dominante e a dominada, mas entre a vanguarda e os elementos que impedem as mudanças por comodismo ou incompreensão. A luta seria entre o progresso e as forças conservadoras, entre o novo e o velho.

5 comentários:

  1. nossa.. muito obrigada.. sua explicação é muito boa.. eu tava estudando aqui que nem uma louca pra sociologia da comunicação (faço faculdade de publicidade) e me ajudou muito. valeu mesmo! =)

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  2. "Marx e Engels formulam suas ideias a partir da realidade social por eles observada"

    Nem precisei ler o resto,todos sabem que Marx fraudou as estatísticas e omitiu em seus estudos.
    Está no museu hoje para quem quiser ver.

    Marx=Charlatão

    Anderson

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    Respostas
    1. Carlos Henrique Marques5 de setembro de 2016 17:13

      Se acha ruim, por que se dá ao trabalho de estar aqui? Vá ler os panfletos do Olavo de Carvalho, talvez o astrólogo autoproclamado filósofo seja mais científico pra você!

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  3. Parabéns professor, seu espaço de socialização é magnifico!!! Você não faz ideia do quanto tem me ajudado para que minhas aulas fiquem mais dinâmicas e divertidas. Obrigada!! Estou de olho em cada atualização!!! Abraços Professora Aryadny

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